11 de fev. de 2017

DIA 03: Por qual cor você é grato?


Entre a infinidade de cores que nos é apresentada no Ensino Fundamental I, enquanto repetimos seus nomes com as professoras e os escrevemos em um caderno de caligrafia, pelo menos uma vez por semana, a gratidão de hoje abraça os diversos tons de azul. 

Não porque são os meus favoritos, afinal, se você estiver andando na Avenida Paulista e, de repente, cruzar comigo, não estarei vestindo azul - nem mesmo na meia. Mas sou grata pela existência dessa cor por ela ser vista em duas das infinidades que mais me lembram o maior amor que já experimentei até hoje: o céu e o oceano.  

Quando olho para eles, sou capaz de sentir o amor de Deus, mas não como o sentimento com data de validade e condições para ser sentido, como é colocado por muitos homens, e sim como uma fonte inesgotável e recebida de graça, já que não há nada que eu faça que fará com que haja merecimento em mim para ser amada.  Tudo é pela graça. 

Entendi isso e passei a ser ainda mais grata pelas criações de Deus quando Ele disse a mim: "Você já parou para pensar que você é chamada de filha pelo criador do céu e do mar?". Instantaneamente comecei a chorar e indagar: "Como que o autor de tais maravilhas pode me chamar de filha, sendo que eu tenho tantos defeitos? Sendo que eu não sou merecedora?". 

Então, o amor dEle acertou meu coração como uma flecha: ainda que Ele saiba de cor e salteado a lista das minhas falhas, sou realmente chamada de filha pelo criador do céu e de tudo que está abaixo dele; só que isso não acontece porque há algum mérito meu que faça com que esse amor aconteça, mas porque Ele simplesmente escolheu me amar. Assim como Ele também escolheu amar você, independente do que você faça. 

Afinal, nada disso é sobre merecimento, é sobre a graça. 

Alice Arnoldi

8 de fev. de 2017

DIA 02: Por qual tecnologia você é grato?


Ainda que soe clichê escolher a internet como a tecnologia por qual sou grata, não poderia ser diferente, afinal, é ela quem permite que eu esteja perto mesmo que longe e quem faz com que todo o conhecimento seja de fácil acesso.

Poder ouvir o choro de tristeza de alguém no momento em que tudo está acontecendo e, então, conseguir ajudá-la é gratificante, assim como saber de uma novidade e poder pular enlouquecidamente junto com a pessoa, só que ela no meio da rua e você no seu quarto. Além disso, saber que a dúvida está a um clique de ser transformada em solução é estranho, mas também surpreendente.  

Então, sou grata à internet por ter permitido que eu abraçasse mesmo que os meus braços não estivessem sequer levantados, por conhecer sobre o feminismo ainda que não tenha sido falado sobre ele um dia sequer dentro da escola e por conseguir encontrar, aqui, espaço para as minhas palavras e, com isso, ter descoberto na prática a vontade de fazer Jornalismo. 

Alice Arnoldi

6 de fev. de 2017

DIA 01: Por qual cheiro você é grato hoje?


Ainda que muitos cheiros, como o da comida da minha mãe, sejam importantes para mim, não poderia começar o projeto sobre detalhes sem falar daquele que acalanta o meu coração e me lembra o significado de lar com apenas uma fungada em sua cabeça ou entre os seus olhos, quando insisto em enchê-lo de beijos. 

Todas as vezes que isso acontece e sou capaz de sentir o cheiro que é só dele, é como se alguns cadeados fossem abertos e, finalmente, um suspiro aliviado pudesse ser dado. Sinto que sou abençoada por isso, porque enquanto muitas pessoas possuem casas, mas não encontram e vivem a paz de um lar, perto do Sansão é tudo que consigo sentir. 

Ele já faz parte da família há 09 anos e desde que chegou, não houve um dia sequer em que não pudemos experimentar o amor em sua forma mais pura que existe, afinal, é isso que ele tem insistido em nos mostrar desde o momento que não chorou ao entrar no carro do meu avô e ficou extremamente feliz quando chegou em casa (só o seu intestino que não ficou muito alegre com o leite que nós demos, mas tudo bem, aprendemos: sem leite para ele).

Sendo assim, no dia de hoje, a ele são todas as palavras de gratidão que existem no meu vocabulário, mas ainda tenho convicção de que não são o suficiente, afinal, como ele me ensinou, o amor é feito de atitudes, não é?

Alice Arnoldi

5 de fev. de 2017

NOVO PROJETO: 30 dias de gratidão


Na madrugada de terça para quarta-feira, quando todos já estavam dormindo em casa, acordei repentinamente ofegante, com a sensação de que estava perdendo o controle da minha própria mente. Desbloqueei o celular e tentei encontrar alguma amiga para conversar, mas pelo horário, elas já estavam dormindo. Então, em uma luta travada contra o meu corpo, precisei segurar em minhas próprias mãos e descobrir como conseguir fazer o coração voltar a bater em seu ritmo normal, manter a respiração constante e transformar a certeza de que iria sucumbir a qualquer momento em apenas um pensamento ruim e passageiro.

Em momentos como esse, não há uma fórmula certeira para conseguir se desvencilhar de tais sensações horríveis, porém, diferente de tudo que um dia eu imaginei que poderia me tirar do rebuliço criado pelas crises de ansiedade, o detalhe me salvou. Para quem quer que fosse, o meu quarto era só um cômodo com as luzes apagadas e o ventilador soando ao fundo, mas foi no barulho contínuo daquele vento que eu pude fugir da balbúrdia que acontecia em minha mente, pois eu finalmente havia conseguido encontrar algo real o suficiente para me concentrar e, então, vencer. 

Com isso, entendi. Entendi que os nossos olhares correm acelerados pelos dias, preocupados demais com as horas e com o que deixamos de fazer, mas nunca atentos o suficiente para o que foi bom. Pensando nisso, decidi fazer um desafio, que encontrei no Pinterest por acaso, chamado 30 days of gratitude. Responderei todas as segundas, quartas e sábados, com um pequeno texto e uma fotografia, as 30 perguntas relacionadas a ser grata sobre algo, a fim de que os detalhes parem de passar desapercebidos por mim, afinal, são eles que insistem em me ajudar quando olhados com mais atenção.

Espero que vocês gostem de acompanhar essa trajetória de auto descoberta e que se animem em fazer também, porque todos nós precisamos fazer do lembrete de algo bom uma rotina!








Alice Arnoldi


23 de jan. de 2017

Sucumbir


Ana sentou-se em frente a ele, respirou fundo, olhou dentro dos seus olhos e apenas despejou a pergunta que estava dentro dela há meses, mas que nunca havia tido forças para dizer: "por que, mesmo em meios aos seus pedidos de desculpas e lamentações, não me machucar nunca é uma opção?".

Ele cogitou abrir os lábios e dizer que Ana estava errada, mas apenas um grande suspirou saiu como resposta de sua boca e, naquele momento, ambos sabiam que a pergunta não tinha resposta certa, mas que o questionamento da menina era verdadeiro.

Ela pensou em levantar, gritar com todas as letras que ele era um completo idiota e sair derrubando tudo que havia em sua frente, mas Ana estava cansada. Ela havia gastado todos os resquícios de amor e força que haviam dentro dela nas desculpas construídas em sua mente para que, nem por um segundo sequer, ela pensasse em soltar a corda, que mesmo rasgando sua mão com os nós que surgiram com o passar dos anos, ainda parecia egoísmo demais deixá-la despencar ao chão. 

Porém, o silêncio dele rasgou o peito de Ana de um lado ao outro e naquela fração de segundos, em que não havia mais nada vivo o suficiente dentro dela, a corda sucumbiu. Não porque caiu ao chão, mas porque estourou, afinal, um lado estava sendo mais puxado que o outro.  

Alice Arnoldi

14 de dez. de 2016

É preciso muita coragem para desaguar


"Você está chorando?", ouvi uma das minhas amigas perguntar para a outra enquanto estávamos falando sobre um daqueles assuntos que são como nós na garganta se apertando cada vez mais com a sequência das palavras ditas. 

Com os olhos marejados, mas a cabeça erguida, pudemos ouvir um "sim" e, instantaneamente, a abracei e pedi para que ela não chorasse, porque eu teria que acompanha-la no desaguar repentino em meio à praça de alimentação de um shopping. 

Mas agora, lembrando da expressão sincera que surgiu em sua face e da decisão espontânea de não esconder as lágrimas insistentes, só consigo pensar: é preciso muita coragem para fazer isso. 

Não era simplesmente o chorar e sair com o rosto inchado de uma sala de cinema, era desvestir o sorriso automático, a risada forçada rotineira e o "uma hora vai melhorar", para admitir para si que o peso da armadura desgastou os ombros e a está levando em direção ao chão. 

É preciso muita coragem para pedir socorro sem dizer uma palavra. É preciso muita coragem para admitir que não está tudo bem. É preciso muita coragem para transbordar uma represa em uma sociedade que aplaude a seca das emoções. 

Alice Arnoldi

3 de dez. de 2016

Eu sinto muito, Ana.

                       Alice Arnoldi

Querida, Ana. 

O ano não foi fácil para você, não é mesmo? Mas você também percebeu, enquanto os dias corriam, que 2016 não estava sendo tranquilo para as outras pessoas também, não é? Então você acabou por colocar um pano leve e sem os remédios certos sob as feridas, para tratar quem você nem sabia como fazer isso, não foi? 

Agora, deixa eu tentar adivinhar: as consequências não foram as melhores. Acertei?

Sabe, Ana, mesmo depois de tanto tempo vivendo a mesma realidade, você ainda não entendeu que, por mais que alguém precise dos seus cuidados, as suas feridas estão infeccionadas e não dá mais para continuar a dizer que elas não existem. 

Elas estão sujando todos os cômodos da casa. Você não consegue ver as gotas de sangue caídas em todas às vezes que você estica a pele, sem elasticidade alguma, para tentar sorrir? Isso não é viver, Ana, é sobreviver. 

Só que a verdade é que você merece mais do que um reflexo de luz: você merece irradia-lá. Mas está difícil se lembrar disso, não está? Afinal, você distribuiu álcool e fósforos a todos, mas esqueceu de guardar, pelo menos um de cada, no bolso da sua calça favorita e surrada. 

Espero que em meio à escuridão que jogaram você, com empurrões de "não posso perdoar você agora" de cá e "as suas qualidades não existem" de lá, de alguma maneira, você consiga entender quem realmente é, independente do que pensam a seu respeito. 

Só não esquece que tentar esconder as feridas não é mais uma opção, Ana. Não dá mais. 

Alice Arnoldi

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