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23 de fev. de 2017

DIA 07: Por qual lugar você é mais grato?


O meu lugar favorito e o qual sou mais grata, entre tudo o que já conheci até hoje, foi resposta de oração. 

Para quem não sabe, faço Jornalismo no Mackenzie e, para quem não sabe também, eu não queria estudar nessa faculdade. Lembro, até mesmo, de escrever uma carta para Deus sobre e o pedido era sempre o mesmo: não me coloca lá, por favor. 

Só que Ele colocou e, mais do que isso, confirmou que ali era o meu lugar. 

Emburrei. Fiz cara feia. Sentei na última fileira na primeira semana. Não queria conversar com ninguém. Só queria entrar e sair desapercebida. Até que Deus foi me mostrando, cautelosamente, como a escolha dEle era perfeita e que não era apenas para contradizer a minha vontade, era e ainda é para que eu pudesse entender mais sobre o amor e o cuidado dEle. 
O ápice desse zelo foi quando Ele me mostrou, dentro do Mackenzie, o lugar em que mais consigo senti-lo me abraçando, dizendo que o Seu amor sempre irá me alcançar onde quer que eu esteja e, mais do que isso, sou capaz de ver jovens buscando, desesperadamente, serem chamados de filhos e não apenas de servos. 

Esse lugar é a capelania. 

Comecei a frequentá-la, às quartas-feiras, 17h30, devido ao pocket - um reunião do Dunamis Moviment, em que há louvores e uma rápida palavra - , e, desde então, conheci um lugar em que posso sentar no último banco, dizer "Pai, deixa eu te sentir" e chorar, compulsivamente, porque Ele se faz presente, sem receber um olhar de julgamento. 

Essa... Essa foi a minha oração. 

Alice Arnoldi


20 de fev. de 2017

DIA 06: Por qual gosto você é grato hoje?


Se for para generalizar, não há gosto melhor do que o de doce para mim, mas se for para especificar, terei que falar sobre o sorvete e o churros. Só que a atenção especial a eles não é apenas pelo gosto de ambos (ainda que sejam uma delícia), mas pelo valor sentimental de cada um. 

Às vezes, quando estou na faculdade prestes a ir embora, eu e algumas amigas combinamos de comprar um sorvete e depois irmos para o ponto de ônibus (inclusive, é o que aconteceu hoje). "Você vai querer o quê?"; "Casquinha, né? É o mais barato. Esse dinheiro tem que durar até o fim do mês" e, então, rimos. 

É nessa gargalhada espalhafatosa em meio à praça de alimentação que o sorvete deixa de ser apenas baunilha e uma massa. Ele fica mais doce, mais barato e, definitivamente, mais marcante. Ele é uma lembrança concreta de que os momentos simples são bons.

O mesmo acontece com o churros. Não quando o como, mas quando trago um - ainda que amassado e transbordando recheio de doce de leite para todos os lados - para a minha mãe. É nítida a felicidade no olhar dela, afinal, ela gosta do doce, mas eu tenho certeza que o açúcar com canela, que ela sente nos lábios, só são realmente mais doces por ela saber que eu lembrei dela em meio à correria do dia a dia.

Afinal, doce é algo relativo, não é? 

Alice Arnoldi

18 de fev. de 2017

DIA 05: Por qual som você é grato hoje?

Alice Arnoldi

Em primeiro lugar, deixo um pedido de desculpa a vocês pelo atraso, pois esse texto deveria ser publicado quarta-feira, mas por problemas pessoais, não consegui. Só que isso não significa que, durante toda a semana, não fiquei pensando sobre um som pelo o qual sou grata. Então, por questionar tanto sobre, descobri que a minha verdadeira gratidão está na música. 

Não em um gênero específico - ainda que eu tenha o meu favorito -, mas na ideia de que muitas vezes não sou capaz de explicar o que sinto (irônico para uma pessoa que vive para escrever, não é?) e, então, sou salva por um compilado de notas músicas e textos falados, que mesmo sem ter sido escrito inspirado em mim, fala sobre mim. 

Esse, inclusive, é um dos motivos que faz da música importante e uma necessidade diária, não é? A capacidade de atingir e traduzir inúmeras pessoas, ainda que a letra não tenha sido escrita pensando em nenhuma delas. Afinal, acho que somos mais parecidos do que imaginamos, não é mesmo? 

Então, ainda bem que, em meio a uma estrofe e outra, há sempre alguém para nos dizer que a nossa dor não é única, que outras pessoas já a sentiram e, mais do que isso, que elas superaram.

Alice Arnoldi 

13 de fev. de 2017

DIA 04: Por qual comida você é grato?


Para uma pessoa que gosta de comer como eu (é para ser sincera, não é?), escolher apenas uma comida para ser grata é difícil, porém, quando a pergunta do quarto dia foi lida, instantaneamente, lembrei de um prato delicioso e de valor sentimental para mim: o bolo de laranja da minha avó. 

Ainda que soe clichê falar de comida boa e vó na mesma frase, só de lembrar do malabarismo dela para desenformar o bolo e todo o trabalho (e coloca trabalho nisso, porque fui inventar de reproduzir o bendito e sai suando da cozinha) que ela teve para fazê-lo, um sorriso nasce em meu rosto sem pedir licença. 

Então, não sou grata apenas porque só de imaginar a calda de 04 laranjas escorrendo por toda a massa fofa e branca do bolo já salivei, mas porque eu sei o quanto é trabalhoso separar as claras das gemas e, então, batê-las até que vire "neve"; porque eu sei que adicionar o suco de laranja aos poucos, na mistura, faz uma sujeira e tanto; porque eu sei que untar a forma deixa as mãos cheias de manteiga, o que é difícil de tirar depois; porque eu sei que é "passa a faca aqui", "passa a faca lá", "chacoalha ele" e, de repente, o bolo despenca no refratário, correndo o risco de quebrar; porque eu sei que, com apenas os sorrisos dos netos, todo o trabalho é compensado. 

Como não ser grata a um amor sincero, transparecido em atitudes, como esse?

Alice Arnoldi

11 de fev. de 2017

DIA 03: Por qual cor você é grato?


Entre a infinidade de cores que nos é apresentada no Ensino Fundamental I, enquanto repetimos seus nomes com as professoras e os escrevemos em um caderno de caligrafia, pelo menos uma vez por semana, a gratidão de hoje abraça os diversos tons de azul. 

Não porque são os meus favoritos, afinal, se você estiver andando na Avenida Paulista e, de repente, cruzar comigo, não estarei vestindo azul - nem mesmo na meia. Mas sou grata pela existência dessa cor por ela ser vista em duas das infinidades que mais me lembram o maior amor que já experimentei até hoje: o céu e o oceano.  

Quando olho para eles, sou capaz de sentir o amor de Deus, mas não como o sentimento com data de validade e condições para ser sentido, como é colocado por muitos homens, e sim como uma fonte inesgotável e recebida de graça, já que não há nada que eu faça que fará com que haja merecimento em mim para ser amada.  Tudo é pela graça. 

Entendi isso e passei a ser ainda mais grata pelas criações de Deus quando Ele disse a mim: "Você já parou para pensar que você é chamada de filha pelo criador do céu e do mar?". Instantaneamente comecei a chorar e indagar: "Como que o autor de tais maravilhas pode me chamar de filha, sendo que eu tenho tantos defeitos? Sendo que eu não sou merecedora?". 

Então, o amor dEle acertou meu coração como uma flecha: ainda que Ele saiba de cor e salteado a lista das minhas falhas, sou realmente chamada de filha pelo criador do céu e de tudo que está abaixo dele; só que isso não acontece porque há algum mérito meu que faça com que esse amor aconteça, mas porque Ele simplesmente escolheu me amar. Assim como Ele também escolheu amar você, independente do que você faça. 

Afinal, nada disso é sobre merecimento, é sobre a graça. 

Alice Arnoldi

8 de fev. de 2017

DIA 02: Por qual tecnologia você é grato?


Ainda que soe clichê escolher a internet como a tecnologia por qual sou grata, não poderia ser diferente, afinal, é ela quem permite que eu esteja perto mesmo que longe e quem faz com que todo o conhecimento seja de fácil acesso.

Poder ouvir o choro de tristeza de alguém no momento em que tudo está acontecendo e, então, conseguir ajudá-la é gratificante, assim como saber de uma novidade e poder pular enlouquecidamente junto com a pessoa, só que ela no meio da rua e você no seu quarto. Além disso, saber que a dúvida está a um clique de ser transformada em solução é estranho, mas também surpreendente.  

Então, sou grata à internet por ter permitido que eu abraçasse mesmo que os meus braços não estivessem sequer levantados, por conhecer sobre o feminismo ainda que não tenha sido falado sobre ele um dia sequer dentro da escola e por conseguir encontrar, aqui, espaço para as minhas palavras e, com isso, ter descoberto na prática a vontade de fazer Jornalismo. 

Alice Arnoldi

6 de fev. de 2017

DIA 01: Por qual cheiro você é grato hoje?


Ainda que muitos cheiros, como o da comida da minha mãe, sejam importantes para mim, não poderia começar o projeto sobre detalhes sem falar daquele que acalanta o meu coração e me lembra o significado de lar com apenas uma fungada em sua cabeça ou entre os seus olhos, quando insisto em enchê-lo de beijos. 

Todas as vezes que isso acontece e sou capaz de sentir o cheiro que é só dele, é como se alguns cadeados fossem abertos e, finalmente, um suspiro aliviado pudesse ser dado. Sinto que sou abençoada por isso, porque enquanto muitas pessoas possuem casas, mas não encontram e vivem a paz de um lar, perto do Sansão é tudo que consigo sentir. 

Ele já faz parte da família há 09 anos e desde que chegou, não houve um dia sequer em que não pudemos experimentar o amor em sua forma mais pura que existe, afinal, é isso que ele tem insistido em nos mostrar desde o momento que não chorou ao entrar no carro do meu avô e ficou extremamente feliz quando chegou em casa (só o seu intestino que não ficou muito alegre com o leite que nós demos, mas tudo bem, aprendemos: sem leite para ele).

Sendo assim, no dia de hoje, a ele são todas as palavras de gratidão que existem no meu vocabulário, mas ainda tenho convicção de que não são o suficiente, afinal, como ele me ensinou, o amor é feito de atitudes, não é?

Alice Arnoldi

5 de fev. de 2017

NOVO PROJETO: 30 dias de gratidão


Na madrugada de terça para quarta-feira, quando todos já estavam dormindo em casa, acordei repentinamente ofegante, com a sensação de que estava perdendo o controle da minha própria mente. Desbloqueei o celular e tentei encontrar alguma amiga para conversar, mas pelo horário, elas já estavam dormindo. Então, em uma luta travada contra o meu corpo, precisei segurar em minhas próprias mãos e descobrir como conseguir fazer o coração voltar a bater em seu ritmo normal, manter a respiração constante e transformar a certeza de que iria sucumbir a qualquer momento em apenas um pensamento ruim e passageiro.

Em momentos como esse, não há uma fórmula certeira para conseguir se desvencilhar de tais sensações horríveis, porém, diferente de tudo que um dia eu imaginei que poderia me tirar do rebuliço criado pelas crises de ansiedade, o detalhe me salvou. Para quem quer que fosse, o meu quarto era só um cômodo com as luzes apagadas e o ventilador soando ao fundo, mas foi no barulho contínuo daquele vento que eu pude fugir da balbúrdia que acontecia em minha mente, pois eu finalmente havia conseguido encontrar algo real o suficiente para me concentrar e, então, vencer. 

Com isso, entendi. Entendi que os nossos olhares correm acelerados pelos dias, preocupados demais com as horas e com o que deixamos de fazer, mas nunca atentos o suficiente para o que foi bom. Pensando nisso, decidi fazer um desafio, que encontrei no Pinterest por acaso, chamado 30 days of gratitude. Responderei todas as segundas, quartas e sábados, com um pequeno texto e uma fotografia, as 30 perguntas relacionadas a ser grata sobre algo, a fim de que os detalhes parem de passar desapercebidos por mim, afinal, são eles que insistem em me ajudar quando olhados com mais atenção.

Espero que vocês gostem de acompanhar essa trajetória de auto descoberta e que se animem em fazer também, porque todos nós precisamos fazer do lembrete de algo bom uma rotina!








Alice Arnoldi



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