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8 de fev. de 2017

DIA 02: Por qual tecnologia você é grato?


Ainda que soe clichê escolher a internet como a tecnologia por qual sou grata, não poderia ser diferente, afinal, é ela quem permite que eu esteja perto mesmo que longe e quem faz com que todo o conhecimento seja de fácil acesso.

Poder ouvir o choro de tristeza de alguém no momento em que tudo está acontecendo e, então, conseguir ajudá-la é gratificante, assim como saber de uma novidade e poder pular enlouquecidamente junto com a pessoa, só que ela no meio da rua e você no seu quarto. Além disso, saber que a dúvida está a um clique de ser transformada em solução é estranho, mas também surpreendente.  

Então, sou grata à internet por ter permitido que eu abraçasse mesmo que os meus braços não estivessem sequer levantados, por conhecer sobre o feminismo ainda que não tenha sido falado sobre ele um dia sequer dentro da escola e por conseguir encontrar, aqui, espaço para as minhas palavras e, com isso, ter descoberto na prática a vontade de fazer Jornalismo. 

Alice Arnoldi

19 de jun. de 2016

"Maria, Maria é um dom"

                                                                                    Fotografia e edição: Alice Arnoldi

No cotidiano, nós, mulheres, somos sempre a jornalista demitida por N fatores, mas principalmente por falar sobre o abuso psicológico que sofreu; e nunca o cantor perdoado prontamente após a publicação de um vídeo, em seu canal, com um pedido de desculpa.

No cotidiano, nós, mulheres, sabemos que a culpa é entregue em nossas mãos constantemente, porque o tamanho da roupa, o horário em que aconteceu o crime e até mesmo companhia, são motivos legítimos, de acordo com a sociedade, para culpabilizar a vítima.

No cotidiano, nós, mulheres, ouvimos frases repercutidas que diminuem a densidade de nossas lutas, como "mas é só uma brincadeira", "você não tem senso de humor".

No cotidiano, nós, mulheres, entendemos que ao sermos abordadas, se levarem apenas nossos celulares ou bolsas, estaremos no lucro, pois a real preocupação está em eles roubarem a nossa liberdade e deixarem para trás, com as nossas roupas rasgadas, apenas o trauma, o nojo e os sangramentos: físico e da alma.

No cotidiano, nós, mulheres, sentimos os muros das designações de gênero levantados cada vez mais altos contra nós. As obrigações, por sermos pertencentes ao sexo feminino, são maiores. Não basta estudarmos e trabalharmos, a casa também é obrigação nossa, mesmo que outra pessoa more com você e seja menos ocupada. 

No cotidiano, nós, mulheres, somos paralisadas pelo medo. 

Medo de dizer não para o cara que saímos pela primeira vez e ele simplesmente não respeitar nossa decisão e forçar algo. 

Medo de andar em uma rua, independente do horário. 

Medo de ir a uma entrevista de emprego e ser assediada, com alguma proposta inapropriada, pelo suposto futuro chefe.

Medo de não conseguir resistir e acabar afogada.

Medo de não conseguir revidar forte o suficiente e correr.

Medo de carregar o artigo "a".

Medo de ser mulher.


Alice Arnoldi

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