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21 de jun. de 2016

Nós precisamos conversar: depressão

                 
                                                                       Fotografia e edição: Alice Arnoldi

Escrever sobre transtornos psicológicos não é uma tarefa fácil, além de ser uma tema extremamente singular e delicado, mas devido as circunstâncias atuais, é preciso. 

É necessário porque as pessoas, ainda, continuam enxergando a depressão, o síndrome do pânico, as crises de ansiedade e outros tantos transtornos psicológicos, como artifícios para alguém chamar atenção, como drama, e até mesmo como "mimimi" - a famosa expressão usada para inviabilizar argumentos de assuntos discutidos. 

Quando ouço casos sobre depressão, e logo após falas como: "ah, mas ela/ele não faz isso só para chamar atenção?", são ouvidas, percebo que a população, em sua maioria, ainda não entendeu a profundidade de um distúrbio psicológico e as suas reais causas. 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a depressão é, entre todas as doenças médicas, aquela que causa maior incapacitação. Ao contrário do que é pensado por muitos, a presença do quadro depressivo não se dá apenas por uma tristeza profunda durante semanas, é um fator comum também, mas seus sintomas são mais abrangentes do que esse. Algumas pessoas apresentam dores físicas, como a dor no peito acompanha de angústia, advindas do transtorno psicológico; outras relatam a total perda da vontade de viver, pois aquilo que era extremamente legal, engraçado e estimulador, passa a ser um peso, pois a pessoa não se sente com disposição o suficiente para conseguir realizar, até mesmo, suas tarefas rotineiras; meninas já relataram passar dias inteiros, na cama, chorando, pois não conseguiam acreditar que poderiam melhorar e outras, ainda, contam que já chegaram próximas ao suicídio.

Se a depressão pudesse ser resumida em um termo, ele seria "desesperança", pois é exatamente isso que ela faz com uma pessoa. 

Você já se imaginou acorrentado em um lugar, pois não consegue fazer mais nada? Ou talvez você já se imaginou precisando ir, de um lado para o outro, com dores físicas causadas pelo seu psicológico? Você já se imaginou chorando constantemente, pois você não consegue sair com seus amigos, ir à aula, ir ao trabalho, ouvir música, assistir série, ou até mesmo comer, tomar banho e escovar os dentes? Talvez quando você conseguir se imaginar incapacitado dessa maneira, as acusações, de que tudo isso é uma grande teatro em busca de aplausos, carinho e valorização, parem. 

Talvez quando as pessoas esquecerem um pouco, só um pouco, a ideia de que elas sabem tudo sobre todos os assuntos e passarem a estender mais as mãos, ao invés de recolhê-las, o preconceito talvez diminua e eu e todos os outros que já apresentaram ou apresentam transtornos psicológicos possam falar abertamente sobre o assunto, e sejamos mais respeitados quando dissermos não por não nós sentirmos bem emocional e psicologicamente.

Caso você seja uma pessoa que acabou de ser diagnosticada com depressão e não sabe se vale a pena a busca por ajuda, só gostaria que você soubesse que o começo é o momento mais difícil, mas melhora. Você merece sentimentos, sensações e momentos melhores. Tenha em mente, principalmente nos piores momentos, que dias melhores virão e esse monstro se tornará uma pedra bem pequena em suas mãos, que um dia você se sentirá confiante o suficiente para solta-la no chão e seguir em outra direção. Isso é uma promessa!

Alice Arnoldi

26 de mai. de 2016

Nós precisamos conversar: sororidade

                                                                                                          Crédito: Tumblr

Muitos de vocês, como eu há um tempo, talvez nunca ouviram falar sobre o termo "sororidade". A definição dele, em dicionários como o InFormal, é que sororidade significa um pacto feito entre as mulheres que são reconhecidas irmãs, sendo uma dimensão ética, política e prática do feminismo contemporâneo.

A verdade é que essa palavra realmente significa isso, mas o que nós precisamos conversar é sobre toda essa grandeza, que foi dita em palavras lindas e rebuscadas, ser colocada em prática. 

Não da para continuar vestindo a camisa do feminismo, enquanto que ao uma menina que você não gosta se aproximar de você, os xingamentos como "vagabunda" e outros ainda piores, estarem ali, para diminuir a garota. 

O problema não é não gostar de alguém, afinal, ninguém gosta de todo mundo, mas é desgostar de uma mulher com argumentos relacionados ao gênero dela. Isso porque todos essas palavras são carregadas de sentidos pejorativos de uma construção social que diz que só o fato de uma mulher ser mulher já é ruim.

A sororidade surgiu para nos lembrar que o importante não é sermos melhores umas que as outras, como a sociedade tentou impor sobre nós, mas sermos melhores umas com as outras. A essência é ser a melhor em dar a mão para a mulher mais próxima a mim, e ajuda-la a enxergar que as minhas palavras não são para critica-la, mas para serem um apoio, como nesse gif maravilhoso que representa tão bem essa irmandade em progresso.

O troféu de toda a nossa história não deveria ser o cara que você conseguiu conquistar, enquanto você lutava bravamente com a outra menina, ou a vaga de emprego que você conseguiu ocupar, enquanto esculachava a sua concorrente com os piores defeitos dela; ele deveria ser sobre quantas mulheres você conseguiu impulsionar para enxergar o mesmo céu estrelado, lindo, que você enxergou. Deveria ser sobre querer muito dar as mesmas oportunidades e com certeza, melhores, para todas aquelas que estão perto ou longe de você, porque sentir na pele a dor dessa luta, todas nós sabemos, umas mais, outras menos, mas todas.

Se precisar de um empurrãozinho, estou aqui, ok, mana? 

Alice Arnoldi
 

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